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03 de abril de 2025 . Acesse nossas Redes Sociais

Palavra do Padre
GUSTAVO DA SILVA ALVES

MÊS DE abril de 2025
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A ecologia integral começa por uma mudança de mentalidade

Caros paroquianos,

A liturgia quaresmal se apresenta como tempo favorável para voltar ao essencial, ao Evangelho; como oportunidade para mobilizar o coração ante o acontecimento central de nossa fé, a Páscoa. Tempo que, deixando-nos conduzir pelo Espírito, provoca uma sacudida a construir novas relações vitais: com Deus, com os outros, com o mundo e conosco mesmo. No Evangelho fala-se das “praticas quaresmais” da oração, da esmola e do jejum, em que nossas relações são iluminadas e questionadas pelo modo de proceder de Jesus.

Neste tempo em que estamos vivenciando somos convidados com a Igreja no Brasil a vivenciar a Campanha da Fraternidade. Desde a formação que aconteceu no mês de fevereiro deste ano, que por sinal a participação foi muito positiva, estamos aprofundando o tema “Fraternidade e Ecologia Integral”, com o lema: “Deus viu que tudo era muito bom” (Gn 1,31).

O Papa Francisco propõe uma grande virada no discurso ecológico passando da ecologia ambiental à “ecologia integral”, que abarca todos os campos em si: o ambiente, o econômico, o social, o cultural, o espiritual e também a vida cotidiana. A ecologia integral articula tanto o grito da Terra como o grito dos pobres (Laudado si’, n. 49).

Precisamos, neste tempo litúrgico especial, despertar nossa consciência ecológica para alimentar um novo modo de pensar e de conceber o universo enquanto “teia de relações”. Isto significa que há uma unidade fundamental que perpassa todas as partes do universo, na forma de uma “rede”. Nenhuma espécie é autossuficiente; todas são interdependentes.

A ecologia integral começa por uma mudança de mentalidade, por uma nova sensibilidade, e deve nos conduzir a uma simplicidade de vida, não consumista, mas antes solidária, defensora dos pobres e da natureza, agradecida ao Deus criador do céu e da terra.

Depois de uma longa caminhada quaresmal, celebraremos este mês a Semana Santa, na qual celebraremos os mistérios da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, ou seja, os acontecimentos centrais de nossa fé cristã. O toque principal é dado pela Páscoa: a “passagem” da morte à Vida.

Jesus, que tinha realizado sua missão nas periferias da Galileia, junto aos mais pobres e excluídos, sonhava em levar a Boa-nova do Reino à cidade de Jerusalém. Entra nesta cidade aclamado pelo povo simples. Ao longo da Semana Santa, as contemplações dos “mistérios da Paixão” acontecem numa atmosfera de grande intimidade, silêncio e compaixão. A contemplação vem a ser como um “acompanhar” Jesus em sua fidelidade à causa do Reino; o orante não pode permanecer reduzido a um simples espectador, mas deve “entrar” no caminho de Jesus, ser solidário com ele e com os sofredores da história.

O “mistério pascal” é o salto para a novidade, para a beleza, para a transcendência. Imersos na natureza, a Ressurreição nos faz descobrir a verdadeira extensão da Vida. A luz da Ressurreição ilumina toda a Criação: a vida de Cristo na vida da Terra nos traz alegria e esperança. O universo inteiro é habitat do Cristo Cósmico.

Por fim, aproveito para desejar a cada um de você, nosso fiel leitor, uma feliz e abençoada páscoa!

Pe. Gustavo da Silva Alves
Pároco